Acreditar é meio passo para conseguir, o outro é querer
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Chegámos ao fim do ano mais importante dos últimos tempos e entramos no ano mais decisivo da próxima década. Em 2011 o país enfrentou a realidade da sua própria insustentabilidade, às escondidas do Primeiro-Ministro, Teixeira dos Santos pediu ajuda externa, os eleitores humilharam Sócrates nas urnas depois de ter ajoelhado milhões de portugueses e deixado muitos esqueletos no armário. O seu fantasma continua levitando por aí causando calafrios ao novo PS, alegadamente mais sério, realista e responsável. Passos Coelho venceu as eleições defendendo um novo paradigma político, um novo papel para o Estado e uma nova responsabilidade para o sector privado. Uma narrativa política que trata diferente quem é diferente e com mais justiça social quando se olha para além dos populismos de certos quadrantes da nossa sociedade.
O desafio não poderia ser maior, fazer em pouco mais de um ano as reformas que não foram feitas nos últimos vinte. Portugal não tem um plano B, não há espaço para passar entre os pingos da chuva, o caminho é estreito e não há oportunidade para errar. Os portugueses enfrentam um choque de realidade equivalente à força com a qual muitos dos dirigentes políticos deste país a ignoraram durante décadas por motivos puramente eleitoralistas, esquecendo que as reformas são investimentos fundamentais para a maior riqueza deste país: as novas gerações.
É por isso urgente mudar de vida e esta mudança só é possível se todos participarem, unidos com um único objectivo: salvar Portugal.
Salvar Portugal não se faz com demagogia, nem com calculismo político, ou oportunismo partidário. Salvar Portugal não se faz de olhos vendados e consciência ignorada, nem com a mesma irresponsabilidade que nos levou à crise.
Este é um passo para o qual todos temos que contribuir e participar conjuntamente. Fazer mais e melhor do que até aqui, começando pelos políticos e restantes lideres nacionais. Também os nossos professores e estudantes têm que ser ainda melhores, os médicos, os advogados, os padeiros, os electricistas, os artistas, os vendedores, os pais e filhos têm que ser ainda melhores pais e filhos, os amigos terão que ser ainda mais amigos.
Espero que 2012 seja um ano com mais solidariedade, entre todos e sobretudo entre gerações. No ano europeu para a solidariedade entre gerações, é tempo de recordar esta como uma via com dois sentidos pois nos últimos anos as novas gerações apenas viram exemplos de solidariedade das gerações mais novas para com as anteriores.
Espero que no próximo ano a nossa justiça funcione e seja mais justa e célere, que as empresas sejam mais produtivas e solidárias entre si nas exportações, que a ciência seja também colocada ao serviço das empresas, se faça a reforma na rede de ensino superior, que educação se centre no aluno e não no professor, que as leis laborais sejam mais flexíveis e simplifiquem a contratação de jovens, que os voluntários vejam o seu altruísmo reconhecido ou pelo menos respeitado. Espero que em Dezembro de 2012 tenhamos ainda mais orgulho em sermos portugueses e que aí possamos dizer que os sacrifícios e esforços valeram a pena, pois teremos então um país melhor, a entrar nos eixos e um futuro mais sustentável.
O povo português tem feitos inigualáveis sobretudo para um país tão pequeno, desde os Descobrimentos até hoje. Se há missão impossível que algum povo consegue realizar é o nosso.
Temos uma das línguas mais faladas em todo o mundo, o melhor treinador e o melhor jogador de futebol do mundo, a empresa que lidera o mercado das energias renováveis, gestores de topo nas maiores multinacionais, centenas de empresas de tecnologia que vendem soluções para os sectores mais exigentes, inventámos a via verde e o transístor de papel, os melhores sapatos, o mobiliário mais exclusivo, o Fado, o maior mar para explorar, o melhor peixe, a melhor culinária, as praias e as mais belas ondas, a melhor luz, somos o povo mais acolhedor que existe, e até temos o melhor bolo de chocolate do mundo. E do que é que estamos à espera?
Para vencer, meio passo é acreditar, o outro meio é querer! Se todos quisermos, juntos conseguimos.
Crónica de Duarte Marques, Presidente da JSD
Jornal i, 27/12/2011